Expressões como: “alma gémea”, “cara-metade” ou “a metade da laranja”, são certamente tuas conhecidas e, é provável que estejas também à procura da tua própria versão.
Se pensares, quando falamos de alma gémea, estamos a considerar que existe alguém exatamente igual a nós e que, supostamente, deve estar ao nosso lado na relação da maneira como desejamos e acreditamos que deve ser, ou seja, que alinha completamente com a nossa ideia de relacionamento ideal e que os dois estão destinados a ficar juntos.
Então e tu, já encontraste o teu par ideal? Será que existe mesmo uma metade perfeita para cada um de nós?
Na verdade, trata-se de um mito que remonta à Grécia Antiga, transmitido de geração em geração e que ainda persiste em muitos de nós, levando-nos a fantasiar sobre o amor e a pessoa amada. Os seres humanos não são perfeitos e o choque com a realidade pode ser muito difícil para não dizer catastrófico, em que a deceção, a frustração e o desencanto surgem com muita força e até de forma destrutiva, e é muitas vezes o motivo do fim dos relacionamentos amorosos. A base da ideia da alma gêmea é acharmos que somos superiores e focarmo-nos, essencialmente, no que vamos obter da relação e esquecermos de que temos também que levar e contribuir.
A alma gémea é um mito em torno do amor romântico que pode ser prejudicial à construção de uma relação amorosa saudável e duradoura. A humildade, a aceitação e a reciprocidade são ingredientes fundamentais em qualquer relação.
Celeste Peixoto
Psicóloga clínica