Carolina Costa: "O percurso de um bailarino é muito exigente e marcado por vários avanços e recuos"
03 NOV 2018

Carolina Costa: "O percurso de um bailarino é muito exigente e marcado por vários avanços e recuos"

Olá Carolina. Nos últimos anos tens arrecadado prémios nacionais e internacionais a um ritmo alucinante. Quais os segredos, na tua opinião, deste percurso recheado de sucessos?

Existem vários factores que têm ajudado muito neste meu percurso! O mesmo não seria possível sem o contributo dos meus professores, que têm sido incansáveis na dedicação, atenção e profissionalismo. Sem as minhas colegas e amigas/os, que me fazem querer e ser melhor todos os dias! É também necessário muitos sacrifícios, muitas horas de aulas e ensaios, determinação e resiliência pois os resultados de todo o trabalho não são visíveis no imediato. Por fim e talvez mais importante o apoio incondicional que tenho dos meus pais e familiares, em particular da minha avó que foi incansável durante 8 anos e a quem devo o ter começado no ballet.

Venceste em 2017 o Prémio de Jovens Talentos de Braga. Que importância teve este tipo de concurso no teu crescimento como bailarina?

O percurso de um bailarino é muito exigente e marcado por vários avanços e recuos. Por vezes duvidamos das nossas capacidades para enfrentar um “mundo” tão competitivo. Ter vencido este prémio em 2017 fez-me acima de tudo acreditar que era possível alcançar o meu maior sonho – ser bailarina profissional!

Como vês o atual estado do bailado em Portugal? O que falta fazer?

Infelizmente o estado das artes e do bailado em Portugal não é o melhor. Qualquer criança que como eu tenha o sonho de ser bailarino, é imediatamente confrontada com essa realidade. As primeiras coisas que ouvimos são: “Não há futuro em Portugal como bailarina profissional”; “Não vais conseguir pagar as despesas e viver sendo bailarina”; “Se queres mesmo ser bailarina vais ter de ir viver para o estrangeiro”! Foi tudo isto o que eu ouvi e continuo a ouvir e penso que retrata perfeitamente o estado do bailado em Portugal! Faltam apoios, incentivos à cultura e ás artes, um estatuto do bailarino que se adeqúe à realidade desta atividade e companhias profissionais que apostem no bailado clássico!

Que projetos e/ou desafios tens no futuro mais próximo?

O meu maior desafio nos próximos tempos passa por trabalhar muito no Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez, para onde me mudei no mês passado. É uma realidade diferente do que estava habituada, muito mais exigente e profissional. Estou em contacto diário com alguns dos melhores jovens bailarinos do mundo, bem como com os professores mais conceituados.

A nível de concursos vou participar como solista de clássico e contemporâneo nas semi-finais Europeias do Youth America Grand Prix, que se realizam de 6 a 9 de Dezembro em Barcelona. O meu objetivo é conseguir o apuramento para as finais de 2019 em Nova Iorque.

 

Que apoios (municipais ou outros) consideras fundamentais para conseguir que jovens talentos consigam brilhar como tu o tens feito?

Eu tenho a felicidade de poder contar com o apoio incondicional dos meus pais e familiares, tanto a nível logístico como financeiro. A verdade é que os restantes apoios são praticamente inexistentes. A formação de um bailarino é muito dispendiosa. Entre aulas, Masterclasses, ensaios, pontas, figurinos, competições, etc. o valor que os nossos pais têm que gastar são extremamente elevados. Valor este que é incomportável para uma grande parte das famílias e que infelizmente faz com que muitos jovens talentos não consigam prosseguir os seus sonhos.

O Município de Braga é uma das exceções que existem em Portugal no que se refere aos apoios concedidos, pois sempre que solicitado têm comparticipado uma parte dos custos com deslocações a competições que se realizam no estrangeiro. No entanto foi o único apoio público que eu e os meus colegas recebemos até hoje.