Stalking em debate na Universidade Católica
01 MAR 2018

Stalking em debate na Universidade Católica

O caso de António Manuel Ribeiro, famoso vocalista dos HGF, foi o ponto de partida para o 1º Fórum “Stalking: Prevenir e atuar”. Na mesa, além de António Manuel Ribeiro, estiveram Marta Mendes, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima de Braga (APAV), Marlene Matos (coordenadora do Grupo de Investigação sobre Stalking em Portugal) e Paulo Pinto, Chefe do Núcleo de Investigação de Apoio a Vítimas da GNR do Porto. O encontro teve organização do Rotary Clube de Braga-Norte, com apoio da Universidade Católica, Câmara de Braga, através do Pelouro da Juventude e Pressmedia.

Numa conversar entre os intervenientes, o cantor defendeu que a prevenção é a melhor forma de evitar que estes casos aconteçam. “Há 12 anos, quando tudo começou, eu tinha um problema muito grande em fazer queixa às autoridades e o sistema judicial em enquadrar o crime, porque simplesmente não existia. Falava-se em perseguição, violência doméstica, perturbação da vida privada, mas não havia uma palavra que definisse o crime”, afirmou. “Por exemplo, no caso que me ‘calhou’, a pessoa que me perseguia estacionava o carro em frente a minha casa e começava a ligar o alarme para me incomodar. Quando chegavam as autoridades, desligava. Ou seja, o facto de estar na rua não configurava crime, porque o código penal não criminalizava esta ação em concreto, porque analisada individualmente”, explicou. António Manuel Ribeiro foi mais longe ao considerar que há, ainda, algum preconceito. “Há dois tipos de stalking: o de proximidade e o mediático. Geralmente, o primeiro tem a ver com casais que se separam e uma das pessoas começa a perseguir a outra, ou seja, há uma relação antes do crime; e o mediático, que foi o que me aconteceu, em que não há qualquer relação entre as pessoas, mas, na cabeça do ‘stalker’, há uma relação entre ambos, correspondida e para sempre. Os homens acabam por ter vergonha de contar e as mulheres medo, infelizmente, é isso que acontece”, contou.

Nas mãos do cantor estava o livro que editou recentemente ("És Meu, Disse Ela") e que conta a ‘tormenta’ que passou com Cristina/82, desde 2003 a 2012. Em 2010 e em 2012, a agressora foi condenada (foram feitos dois processos crime, dada a extensão da alegações) e, desde essa data, António Manuel Ribeiro começou a compilar os episódios de perseguição. “Uma das coisas muito importantes que deveremos ter em mente é que, para haver um processo, temos de ter testemunhas, a vítima deve tentar que estes episódios sejam presenciados por mais pessoas; e deveremos apontar, de forma descritiva, todos os momentos em que isso acontece –o Ministério Público sugeriu-me que assim fizesse e o processo tinha 1200 páginas de relatos”, contou.